Por Chiara Lombardi — La Via Italia
A ficção científica funciona como um espelho do nosso tempo: ela reflete ansiedades, esperanças e o roteiro oculto de uma sociedade que tenta se reinventar. É exatamente nesse croqui de futuro que se insere Star Trek, franquia que, há seis décadas, encena o desejo humano de construir um amanhã melhor. Em Star Trek: Starfleet Academy, a décima segunda série do universo, essa ambição ganha rosto — e professores — a partir de 15 de janeiro, quando a produção chega ao streaming da Paramount+.
O ator Paul Giamatti conta, com a voz de quem conserva a reverência do fã, que se apaixonou pela saga ainda menino; recorda as tardes compartilhadas com o pai e a admiração por Spock, figura capaz de ler mentes e mapear as feridas que moldam os comportamentos. Agora, adulto e veterano das telas, Giamatti interpreta um antagonista perigoso: um pirata espacial. “Interpretá-lo foi como tomar uma droga poderosa e dar espaço à imaginação”, diz. A sua interpretação promete ser uma exploração dos limites morais e das contradições humanas — um espelho invertido do idealismo da Academia.
Do outro lado desse contraponto ético, está Holly Hunter, no papel de Nahla Ake, ex-oficial da Frota que se tornou reitora da Academia de cadetes. São esses jovens — provenientes de mundos e culturas diversos — que ocupam o centro narrativo da série em dez episódios: uma história de formação com a tensão moral que é marca registrada de Star Trek. O showrunner Alex Kurtzman descreve a série como um “drama de formação” que renova a mitologia ao focar nas gerações mais jovens, trazendo rostos novos e uma energia que renova o cânone.
Ambientada no século 32, depois dos tumultos narrados em Star Trek: Discovery, a série acompanha os cadetes enquanto aprendem a trabalhar em equipe, negociar diferenças culturais e enfrentar dilemas que combinam tecnologia, ética e memória coletiva. É curioso perceber como a ficção científica continua a ser um laboratório de ideias sobre liderança e convivência: os valores de abertura cultural e colaboração que a franquia propõe soam hoje como uma lição prática para quem ocupa posições de comando no mundo real.
Em tempos em que o presente exige reconfigurações rápidas, Star Trek: Starfleet Academy surge não apenas como entretenimento, mas como uma pequena fábula sobre esperança e educação cívica — o eco cultural de um ideal reparador. Nas melhores cenas, a série lembra que o futuro não é uma linha escriturada, mas um set em construção, no qual cada ato reflete escolhas e memórias.
Estreia: 15 de janeiro de 2026 — disponível em Paramount+ (10 episódios).





















