Por Alessandro Vittorio Romano — La Via Italia
Em uma paisagem onde o ar que respiramos e o tempo interno do corpo se entrelaçam, a pneumologia italiana ganha um novo ponto de referência. Nicola Scichilone, diretor da Unidade Operativa Complessa de pneumologia do Policlinico di Palermo e diretor da Escola de Especialização em Doenças do Aparelho Respiratório da Università degli Studi di Palermo, foi eleito novo presidente da Società Italiana di Pneumologia, cargo que assumirá oficialmente em 2027. A nomeação é, nas palavras do próprio Scichilone, ao mesmo tempo um reconhecimento e uma responsabilidade.
O desafio que ele coloca é claro: construir uma pneumologia moderna, capaz de acompanhar as necessidades cada vez mais complexas de uma população que envelhece. O aumento da expectativa de vida trouxe consigo uma colheita de doenças crônicas – entre elas as respiratórias – que moldam a qualidade de vida de muitos. Hoje, segundo Scichilone, existem medicamentos que, embora nem sempre curem, conseguem retardar a evolução de doenças como as fibroses pulmonares e as doenças obstrutivas crônicas dos brônquios.
Ao mesmo tempo, a respiração da cidade muda com a tecnologia: áreas como a pneumologia intervencionista e o suporte ventilatório não invasivo se transformaram nos últimos anos graças à inovação. Integrar plenamente essas ferramentas ao cuidado diário é uma prioridade, reforça o novo presidente, que enxerga na tecnologia uma aliada para melhorar a tomada de decisão clínica e a qualidade de vida dos pacientes.
Outra nota do roteiro de Scichilone é a centralidade da prevenção. A cada inverno, as complicações respiratórias associadas à gripe — como pneumonias e insuficiências respiratórias — testam a resiliência do sistema de saúde. Por isso, ele destaca a necessidade de campanhas vacinais amplas nos meses que antecedem a estação fria. A mensagem é prática e direta: investir em vacinação e em organização sanitária evita ondas de agravos que poderiam ser atenuadas com medidas simples e bem coordenadas.
Essa organização, diz o pneumologista, não é apenas logística: passa por uma sanidade capaz de se preparar para os picos de demanda, garantindo acolhimento hospitalar adequado e uma gestão eficaz das complicações respiratórias. Em outras palavras, cuidar das raízes do bem-estar respiratório implica um sistema robusto, profissionais capacitados e políticas que priorizem a prevenção.
À população, o apelo de Scichilone é pragmático e sereno: sensibilizar-se para a vacinação, aderir às campanhas de prevenção e confiar em um percurso de cuidados que hoje combina terapêuticas farmacológicas, tecnologia e estratégias organizativas. É um convite para que cada cidadão participe ativamente da própria saúde respiratória — como quem cuida de um jardim para que ele floresça na estação certa.
Ao assumir a presidência da Società Italiana di Pneumologia, Nicola Scichilone pretende fazer da disciplina um campo mais integrado, preventivo e inovador, pronto a responder aos desafios atuais e futuros: do envelhecimento da população às emergências epidêmicas. É um projeto que exige visão clínica, investimento em tecnologia e a sensibilidade de quem entende que saúde é também uma paisagem de hábitos, estações e pequenas escolhas cotidianas.
















