Por Stella Ferrari — Em um movimento estratégico que reescalona o motor da economia do setor de telecomunicações italiano, a TIM concluiu 2025 após uma profunda reestruturação que vem repercutindo fortemente no mercado financeiro.
A companhia, que em 2024 alienou a sua rede fixa (NetCo) por cerca de €22 bilhões para a KKR, liberou caixa e reduziu o nível de alavancagem, redefinindo seu modelo de negócio para concentrar-se na prestação de serviços de telecomunicações sem gerir diretamente a infraestrutura fixa. Essa calibragem de ativos permitiu à empresa ajustar o balanço e acelerar a transição para serviços móveis e digitais.
No plano acionário, a entrada e o fortalecimento da posição da Poste Italiane redesenharam as expectativas de mercado. A estatal financeira ampliou sua participação — comprando inicialmente 15% das ações ordinárias e depois mais 2,51% — para ficar com mais de 27% do capital ordinário. Esse acionista de perfil italiano e horizonte de longo prazo trouxe maior previsibilidade ao título.
O mercado reagiu positivamente: desde o início de 2025 as ações da TIM mais que dobraram, com a capitalização girando em torno dos €12 bilhões. O papel vem negociando com relativa estabilidade na faixa de €0,50–€0,55, apoiado por um target médio de aproximadamente €0,56 segundo o consenso Bloomberg.
Um ponto sensível para investidores é a proposta de conversão das ações de poupança em ações ordinárias, na qual cada ação de poupança seria transformada em 1 ação ordinária mais €0,12 em dinheiro. A votação pelos acionistas está marcada para 28 de janeiro. Consultorias e proxy advisors indicam que a manobra deve simplificar a estrutura de capital, elevar a liquidez do papel e compensar a renúncia de privilégios de dividendos com maior poder de voto.
No plano operacional, a empresa assinou um acordo preliminar de ran sharing com a aliança Fastweb + Vodafone para acelerar a expansão do 5G, com foco especial nas áreas de baixa densidade populacional. A parceria, que não envolve venda de ativos imediata, busca evitar duplicação de investimentos e gerar economias estimadas entre €250 e €300 milhões ao longo de 10 anos — uma verdadeira otimização de engenharia de rede.
Agências de análise, como a Kepler, projetam um avanço nos resultados: expectativa de utilidade líquida adjusted em crescimento entre 2025 e 2027, partindo de dezenas de milhões no primeiro ano para ultrapassar os €500 milhões até 2027. Aliado à queda do endividamento, esse ciclo de resultados alimenta a hipótese de busca por um rating de investment grade entre o final de 2026 e o início de 2027.
Riscos e concorrência no segmento de telecomunicações italiano permanecem relevantes, mas o mix entre reorganização societária, alianças estratégicas para o 5G, simplificação do capital e a ênfase em produtos móveis e digitais está reposicionando a empresa. Em termos de política e mercado, a TIM mostra que é possível ajustar o chassi financeiro e reenquadrar a propulsão do negócio sem perder a capacidade de acelerar em direção a novas fontes de receita.






















