Por Giuseppe Borgo — A nova onda de bombardeios noturnos voltou a testar os alicerces da vida cotidiana na Ucrânia. As autoridades relataram um ataque russo em larga escala dirigido a infraestruturas energéticas e lançamentos de mísseis contra centros urbanos, com sirenes soando em várias regiões, inclusive em Kiev.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reagiu com veemência: “A Rússia deve entender que o frio não a ajudará a vencer a guerra”. Segundo ele, o ataque atingiu instalações elétricas e deixou “diversas centenas de milhares de famílias” sem eletricidade na região de Kiev. “Todos os serviços de emergência estão no terreno”, afirmou Zelensky, ressaltando a necessidade diária de mísseis para os sistemas de defesa aérea, especialmente no inverno. O presidente apelou para uma aceleração nos fornecimentos de apoio por parte dos Estados Unidos e da Europa.
Autoridades locais informaram que, durante a noite, a Rússia lançou um ataque com mísseis balísticos contra a capital. O chefe da administração militar de Kiev, Timur Tkachenko, pediu à população que permanecesse em locais seguros: “Os russos estão atacando a capital com mísseis balísticos”. O prefeito Vitali Klitschko comunicou que as unidades de defesa aérea foram ativadas para tentar interceptar os projéteis.
No extremo leste, a periferia de Kharkiv foi alvo de um ataque de grande intensidade: autoridades regionais confirmaram duas mortes e um ferido. O episódio confirma o padrão de pressão sobre centros urbanos e infraestruturas civis, com consequências imediatas para a população e para a rede de serviços básicos.
Um alerta por risco de ataques com armas balísticas foi emitido para Kiev e várias outras regiões, conforme comunicado citado pela RBC Ucrânia na noite. “Há uma renovada ameaça de utilização de armas balísticas. Não ignorem os sinais de alarme, protejam-se”, recomendou a administração militar da capital.
No plano diplomático, Moscou convocou o embaixador da Polônia na Rússia, Krzysztof Krajewski, para apresentar forte protesto pela detenção do arqueólogo russo Alexander Butyagin em Varsóvia, ocorrida a pedido de Kiev em dezembro de 2025. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo classificou as acusações como absurdas e ligadas a atividades científicas, exigindo o imediato libertação de Butyagin e recusando sua extradição para a Ucrânia.
Paralelamente, fontes internacionais reportaram que os Estados Unidos qualificaram o ataque russo envolvendo o sistema Oreshnik como uma “perigosa escalada”. A leitura norte-americana reforça a urgência apontada por Kiev sobre o envio de meios defensivos capazes de neutralizar mísseis balísticos.
Como repórter focado na ponte entre decisões de Roma (e da comunidade transatlântica) e a vida dos cidadãos, registro que estes ataques não são apenas números: impactam lares, ferem a rotina e testam os mecanismos de resiliência civil. Cada interrupção de energia é um tijolo a menos na construção de direitos básicos; cada alerta aéreo reforça a necessidade de acelerar o apoio prático às defesas ucranianas.






















