Por Stella Ferrari — As bolsas europeias abriram a sessão praticamente em estabilidade, mantendo-se em torno da paridade enquanto o mercado processa os últimos choques políticos e sinais macroeconômicos. A sessão segue marcada por uma mistura de atenção à política monetária e a fatores geopolíticos que atuam como calibragem do risco global.
Na véspera, o confronto entre a Casa Branca e a Fed — desencadeado pela investigação criminal contra o presidente Powell, que foi qualificada como uma tentativa de intimidação à independência do banco central americano — reacendeu a volatilidade. Ainda assim, os mercados recuperaram terreno ao longo do dia, demonstrando a relativa impermeabilidade dos índices a episódios políticos pontuais, assim como a habilidade do mercado em ajustar seu “motor” de expectativas.
Os futuros de Wall Street operam em leve queda neste início de pregão, enquanto operadores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumo dos EUA, leitura que servirá de termômetro para a trajetória dos juros. Além disso, a temporada de balanços nos Estados Unidos tem início em Nova York com o setor bancário no centro das atenções — um segmento cuja leitura de resultados funciona como eixo de transmissão para avaliações de crédito e liquidez.
Já as bolsas asiáticas registram ganhos robustos, com exceção de Xangai. Tóquio alcançou um novo recorde histórico, subindo 3,1%, puxada pelo setor de tecnologia e por especulações de que a primeira-ministra Takaichi poderia convocar eleições antecipadas para reforçar sua maioria. Seul avançou 1,4% e Hong Kong 0,6%, impulsionadas por apostas em inteligência artificial e pelo fluxo de capitais atrás de ativos de maior crescimento.
No mercado de commodities, o ouro — tradicional refúgio em momentos de aversão ao risco — recuou após ter ultrapassado a marca de US$ 4.600 por onça na sessão anterior; contudo, mantém-se em patamares elevados, refletindo a persistente incerteza geopolítica e monetária. O petróleo subiu em função de tensões no Irã, com o WTI negociado pouco abaixo de US$ 60 por barril, lembrando que choques de oferta continuam sendo um dos freios potenciais para a recuperação da atividade global.
Em resumo, os mercados mostram-se hoje calibrados entre a estabilidade europeia e a aceleração asiática. A combinação de eventos políticos de alto impacto, leituras inflacionárias relevantes e a temporada de balanços cria um ambiente em que a gestão de risco e a seleção de ativos passam a ser o diferencial de performance para investidores institucionais e private banking. Como estrategista, enxergo essa fase como uma etapa de revalidação de posições: é hora de ajustar a marcha, sem panicar com solavancos políticos, mas sem subestimar os sinais vindos dos indicadores econômicos.






















