Por Stella Ferrari — Os mercados europäischenos e italianos digeriram com relativa serenidade a notícia de que o Departamento de Justiça dos EUA moveu uma investigação envolvendo o presidente da Fed, Jerome Powell, por declarações prestadas ao Congresso sobre a reestruturação dos edifícios da instituição. Em sua reação pública, o governador Powell afirmou que o caso pode ser interpretado como uma forma de pressão da administração Trump sobre as decisões de política monetária, colocando em xeque a autonomia do banco central.
Apesar da gravidade institucional do episódio, a reação dos investidores foi moderada. Os futuros que antecipam a abertura de Wall Street caíram cerca de 0,5%, com o maior recuo no Nasdaq, que perde 0,70% nos contratos pré-mercado. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançaram levemente — em torno de 3 pontos-base — enquanto o dólar enfraqueceu, permitindo que o euro ganhasse 0,40% frente à moeda americana.
Em Piazza Affari, a sessão começou em baixa, mas a bolsa de Milão reverteu e fechou praticamente em paridade, com alta marginal de +0,08% — após acumular +0,76% na semana anterior. No resto da Europa, destaque para Frankfurt, que subiu +0,50%, sinalizando que o apetite por risco segue resiliente apesar do ruído político.
Do lado dos ativos de refúgio, observou-se uma resposta mais contundente: o ouro alcançou um novo recorde histórico, subindo 1,90% e cotado a 4.595 dólares por onça. A prata teve valorização ainda mais expressiva, +6%, a 84,8 dólares por onça, acumulando um ganho de 178,8% no último ano — um movimento que revela realocação de portfólios em busca de proteção e liquidez.
Commodities energéticas mostraram leve acomodação: o Brent recuou, situando-se em torno de 63 dólares por barril.
No mercado acionário italiano, os papéis da Fincantieri lideraram os ganhos, com alta de +3,85%. O catalisador foi a sua subsidiária norueguesa, Vard, que assegurou um contrato de mais de 200 milhões de euros para a construção de quatro embarcações destinadas a operações complexas em águas profundas, integrando tecnologia de robôs operados remotamente — um exemplo de engenharia aplicada que acrescenta valor ao portfólio e à cadência de receita da empresa.
Outro foco de atenção foi o setor bancário: na cobertura da imprensa, surgiram rumores de que o Banco Central Europeu estaria prestes a autorizar, com recomendações, o aumento da participação do Credit Agricole no Banco BPM para além dos 20%. Segundo o Corriere della Sera, a operação poderia ocorrer em duas etapas, primeiro para 24,9% e depois até 29,9%. Esse movimento reabre discussões sobre consolidação bancária e sobre a calibragem de supervisão no mercado italiano.
Em síntese, os mercados hoje mostraram que o motor da economia continua a rodar, mesmo quando surgem atritos institucionais. A notícia sobre Powell adicionou ruído político, mas não freou a aceleração de tendências já em curso: procura por ativos de proteção como metais preciosos e seletividade nas bolsas, com destaque para empresas com alavancas tecnológicas e contratos firmes. No cenário macro, a combinação de leve alta nos yields e enfraquecimento do dólar merece acompanhamento, pois pode influenciar fluxos internacionais e a dinâmica de ativos de risco nas próximas sessões.






















