Um “No” em defesa do direito e da democracia. Com esse propósito, o centro-esquerda reuniu-se ontem no Centro Congressi Frentani, em Roma, para lançar o comitê “Società civile per il No”, presidido por Giovanni Bachelet. A iniciativa tem objetivo claro: barrar a reforma da justiça promovida pelo governo Meloni, vista pelos opositores como uma tentativa de asservir a magistratura ao poder político por meio da separação das carreiras e do chamado doppio CSM.
Apesar das divergências táticas que costumam dividir a oposição, o referendo parece ter produzido uma unidade política inédita. No palco, alternaram-se vozes do espectro progressista — entre elas Elly Schlein e Giuseppe Conte — unidas na crítica a uma gestão que definem como autoritária da coisa pública.
A líder do PD lançou um desafio direto ao Guardasigilli: “Vamos ganhar as próximas eleições, mas não queremos uma reforma que nos permita controlar a magistratura; queremos ser controlados”. O recado é um apelo ao sistema de pesos e contrapesos, considerado por Schlein como um dos alicerces da lei que estaria sendo ameaçado pela primeira-ministra. “Gritam conspiração, mas não é culpa dos juízes se não sabem escrever as leis”, acrescentou, buscando sublinhar a diferença entre falha legislativa e independência do Poder Judiciário.
Tomando um tom ainda mais duro, Giuseppe Conte advertiu para o risco de retorno a uma “casta de políticos intocáveis”, alertando que, com a vitória do “Sim”, os cidadãos comuns poderiam ser transformados em “todos de segunda classe”.
O comitê liderado por Bachelet — filho do jurista assassinado pelas Brigate Rosse — reúne mais de cem organizações da sociedade civil, entre elas ANPI, Libera, Arci, Legambiente e Acli. De particular peso foi a presença da CGIL, cujo secretário-geral Maurizio Landini convocou uma mobilização de base: “Comecemos a caminhar município por município. Não há quórum; vence quem obtém um voto a mais: devemos explicar às pessoas que está em jogo o futuro da democracia”.
A assembleia também arrecadou adesões de figuras públicas de destaque, como o Nobel Giorgio Parisi e o escritor Maurizio de Giovanni, que concordaram na avaliação de que a reforma ameaça a independência judicial.
Enquanto as peças da arena política continuam a se mover, o comitê “Società civile per il No” aposta na construção de uma ponte entre as instituições e a sociedade, com mobilização local e argumentação focada nos direitos e na autonomia dos tribunais. Trata-se, nas palavras dos organizadores, de preservar os alicerces da Constituição contra o que definem como uma possível svolta autoritaria.






















