Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Na noite de 10 de janeiro de 2026, uma gravação feita por um frequentador registrou a execução da canção fascista “Faccetta nera” nas caixas de som de um dos autoscontros instalados no Winter Park, a tradicional área de entretenimento montada em Ponte Parodi, em Genova, que permanece em funcionamento até 18 de janeiro de 2026.
O vídeo, amplamente divulgado em redes sociais, mostra um visitante confrontando o operador da atração e citando o crime de apologia do fascismo (art. 4 da Lei Scelba, n. 645/1952). O diálogo registrado é direto: “Bravo, eh… bravo, complimenti!”; a resposta: “È solo una canzone”; e a réplica do frequentador: “Guarda che questa è apologia del fascismo, è reato. Questa canzone è reato”.
Na manhã de domingo, 11 de janeiro de 2026, veio a nota institucional do Comune di Genova, classificando a difusão de “Faccetta nera” pelas caixas de um brinquedo do Winter Park como “un gesto di una gravità assoluta”. O comunicado ressaltou que o local é frequentado diariamente por milhares de crianças, jovens e famílias, e lembrou que a manifestação recebe “significativi contributi pubblici” do Município.
A nota do Comune foi taxativa: “A Genova non c’è e non ci sarà mai spazio per nostalgie fasciste”. A prefeita Salis confirmou que o vídeo está passando por “tutti gli approfondimenti necessari” e que a administração pública está avaliando “tutte le azioni possibili, comprese eventuali sanzioni”, além de solicitar intervenções às autoridades competentes. A prefeita exigiu também “una presa di posizione netta e immediata da parte degli organizzatori del Winter Park, che porti all’esclusione dell’attrazione”.
No mesmo dia, os organizadores do evento emitiram declaração pública. Mattia Gutris, porta-voz da equipe do Winter Park, disse: “Il Winter Park condanna quanto è successo nella serata del 10 gennaio”. Gutris afirmou que, há mais de cem anos, o objetivo do evento é “unire le persone e le generazioni nel segno del divertimento e della socializzazione” e que “tutto ciò che divide e che ha a che fare con idee nefaste, non fa parte dei nostri valori”.
O comunicado institucional dos organizadores destacou que o Winter Park envolve “più di 100 famiglie, per un totale di più 300 persone e lavoratori” e considerou o episódio “l’errore esecrabile di un singolo” que será alvo de “ferrei provvedimenti”, sem que a penalização recaia sobre toda a manifestação ou categoria.
Os fatos agora são objeto de verificação pelas autoridades locais para apurar responsabilidades administrativas e, se for o caso, possíveis implicações penais, conforme a legislação italiana vigente sobre a reestruturação do fascismo e a apologia. A investigação também avaliará a cadeia de comando operacional do Winter Park e os mecanismos de programação sonora das atrações.
Este é o quadro factual até o momento: gravação viral na noite de 10 de janeiro, resposta do Comune e da sindaca Salis na manhã de 11 de janeiro, e posicionamento público dos organizadores liderado por Mattia Gutris. O tema segue em evolução e exige acompanhamento rigoroso.






















