Roma, 11 de janeiro — Enrico Grosso, presidente honorário do Comitato per il No ao referendo sobre a separação das carreiras dos magistrados, lançou suas críticas na abertura da campanha contra a iniciativa. Grosso rebateu o argumento do Comitato per il Sì de que o texto da reforma não limita a autonomia e a independência da magistratura: “Essa é uma afirmação pueril. Se a reforma pretendesse abolir o princípio da independência e da autonomia, teria de escrever explicitamente ‘a Magistratura não é mais independente’ — algo grotesco. O problema não é o princípio, que permanece escrito; o problema são as regras que têm a função de sustentar esse princípio”.
Na fala de Grosso, fica clara a preocupação central do Comitato pelo Não: não se trata de um ataque retórico ao ideal da independência judicial, mas de como as novas normas reorganizam os mecanismos institucionais — os alicerces da lei — que permitem à magistratura exercer suas funções sem pressões externas. Em linguagem direta: mudam-se as vigas e podem ruir as salvaguardas.
No mesmo dia, o país registra uma escalada na tensão pública: denúncias de repressão crescem enquanto protestos se multiplicam. O tema da liberdade de imprensa também entrou na agenda das forças políticas.
O Movimento 5 Stelle divulgou nota sublinhando que “a liberdade de imprensa deve ser sempre protegida” e condenou agressões verbais a jornalistas que cobrem manifestações. “Dizemos isso mesmo sendo alvo de uma campanha difamatória com meses de ataques baseados em absurdos”, diz o partido, lembrando que o jornalismo investigativo é um dos freios essenciais da democracia.
Dario Carotenuto, chefe do grupo M5S na Vigilanza Rai, citou a posição do senador Maurizio Gasparri para destacar algo que considera um indício político: segundo Carotenuto, o pedido de que a Antimafia investigue os supostos dossiês relacionados a um consultor da emissora indica que a verdadeira preocupação do governo não é Bellavia, e sim as revelações da reportagem Report sobre possíveis vínculos entre máfia e extrema direita ligados às bombas de 1992. “A direita italiana se mostra histérica contra um jornalismo livre e incômodo para quem tem esqueletos no armário”, afirmou.
Também no plano das pressões, emergiram cenas de violência contra profissionais da imprensa. Em Milão, a jornalista Giulia Sorrentino foi agredida enquanto fazia seu trabalho — episódio que mereceu solidariedade pública. Carlo Fidanza, líder da delegação de Fratelli d’Italia no Parlamento Europeu, condenou agressões e as táticas de intimidação de movimentos que, segundo ele, “revelam uma distância entre a retórica dos direitos e práticas que os negam”.
As declarações públicas, as mobilizações e o debate jurídico-político mostram que o referendo sobre a separação de carreiras não é apenas uma disputa técnica: é uma mudança na arquitetura do voto e na organização institucional que pode alterar o cotidiano das garantias democráticas. Grosso resumiu assim: “A política tem fastidio pela magistratura; com a reforma, quer evitar incômodos” — uma metáfora do peso da caneta sobre decisões que moldam a convivência cívica.
Enquanto as campanhas avançam, a sociedade observa e pondera: derrubar barreiras burocráticas ou reformular as salvaguardas? A resposta, nas urnas, pesará sobre o futuro das instituições e sobre a construção de direitos no país.

















