Roma — Em comunicado encaminhado ao público e às forças sociais, o sindicato Usigrai lançou um alerta técnico sobre a situação institucional da RAI. Segundo a entidade, a persistente paralisação da Comissão Parlamentar di Vigilanza — bloqueada há mais de um ano — compromete a capacidade da emissora de cumprir plenamente seu papel de serviço público.
O diagnóstico do Usigrai é direto e amparado por cruzamento de fontes: sem o organismo parlamentar que exerce funções de controle e orientação, a RAI tem operado em um vazio de supervisão. Na prática, afirma o sindicato, isso abre espaço para decisões administrativas que utilizam poderes de acreditação de forma arbitrária — competências que, segundo a legislação vigente, não pertencem à gestão empresarial da emissora.
Apuração em fontes sindicais e análise normativa indicam dois problemas centrais. Primeiro, o bloqueio da Comissão de Vigilanza impede o exercício regular das atribuições que a lei atribui ao Parlamento para monitorar a atividade da radiotelevisão pública. Segundo, em consequência desse vazio institucional, há uma fragilização das salvaguardas que protegem a independência editorial e a regularidade das relações sindicais dentro da empresa.
O comunicado do Usigrai expressa preocupação específica sobre a gestão da informação em um momento sensível: a proximidade do próximo referendo constitucional sobre a justiça. Para o sindicato, a ausência de esercício di vigilanza parlamentare aumenta o risco de desequilíbrios na cobertura informativa, com potenciais impactos sobre a transparência e a correção do debate público.
Em linguagem técnica e sem ruído retórico, o Usigrai solicita restauração urgente das funções de controle por parte do Parlamento e reivindica que sejam respeitadas as normas que regulam acreditações e relações sindicais. O sindicato também dirige um apelo às forças sociais e aos cidadãos para que acompanhem de forma vigilante a evolução institucional da emissora, lembrando que a proteção do serviço público é um interesse coletivo.
Tratando-se de uma questão que combina direito administrativo, regulação da mídia e normas sindicais, o episódio exige respostas claras dos órgãos competentes. O vazio de supervisão não é apenas uma falha procedimental: é um risco concreto à qualidade da informação que chega à opinião pública, em especial em torno de temas constitucionais sensíveis.
Como repórter em campo para La Via Italia, realizo o cruzamento de documentos e depoimentos que embasam este relato. Seguiremos acompanhando as movimentações parlamentares e as reações institucionais à nota do Usigrai, com apuração in loco e foco em fatos brutos.
Por Giulliano Martini, correspondente da La Via Italia em Roma.






















