Luigi Cadorna foi uma das figuras mais marcantes e controversas da história militar italiana. Chefe do Estado-Maior do Exército Italiano entre 1914 e 1917, ele comandou as forças do país durante os anos mais difíceis da Primeira Guerra Mundial. Sua atuação deixou um legado ambíguo, marcado por disciplina extrema, estratégias rígidas e derrotas que custaram caro à Itália.
Formação e ascensão militar
Nascido em 1850, em Pallanza, no norte da Itália, Luigi Cadorna cresceu em um ambiente profundamente ligado à carreira militar. Filho do general Raffaele Cadorna, herói do processo de unificação italiana, seguiu naturalmente o mesmo caminho. Ao longo de sua formação, destacou-se pelo rigor técnico, pela crença absoluta na hierarquia e pela defesa de um exército baseado na obediência irrestrita.
Essas características foram decisivas para sua nomeação como Chefe do Estado-Maior do Exército Italiano pouco antes da entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial, em 1915.
Estratégias rígidas e guerra de desgaste
Durante seu comando, Cadorna adotou uma visão extremamente tradicional da guerra. Acreditava que a vitória viria por meio de ataques frontais repetidos, disciplina severa e resistência física dos soldados. Essa abordagem ficou evidente nas sucessivas batalhas do rio Isonzo, onde o exército italiano lançou ofensivas quase idênticas contra posições austro-húngaras fortemente fortificadas.
O resultado foi devastador: milhares de mortos, ganhos territoriais mínimos e um desgaste profundo das tropas. Ainda assim, Cadorna insistia nas mesmas estratégias, atribuindo os fracassos à falta de coragem ou disciplina dos soldados, e não às limitações de seus planos militares.
A disciplina como punição
Um dos aspectos mais criticados de sua liderança foi o uso sistemático de punições severas. Cadorna autorizou execuções sumárias, punições coletivas e até a chamada decimazione, prática em que um em cada dez soldados era executado como forma de punição exemplar. Essas medidas, longe de fortalecer o moral, contribuíram para o medo, a desmotivação e o distanciamento entre o comando e a tropa.
Caporetto e a queda
O ponto de ruptura de sua carreira ocorreu em 1917, com a derrota de Caporetto. As forças austro-húngaras e alemãs lançaram uma ofensiva bem coordenada, utilizando táticas modernas de infiltração. O exército italiano, mal preparado e desmoralizado, entrou em colapso. Centenas de milhares de soldados recuaram ou foram capturados.
Após Caporetto, Luigi Cadorna foi destituído do cargo. Seu sucessor, Armando Diaz, adotou uma postura radicalmente diferente, focada na reorganização do exército, melhoria das condições dos soldados e maior flexibilidade estratégica mudanças que se mostraram decisivas para a recuperação italiana no conflito.
Legado e controvérsia
Luigi Cadorna permanece como um símbolo de uma liderança militar inflexível, incapaz de se adaptar às transformações da guerra moderna. Para alguns, ele representava o último grande general de uma tradição ultrapassada; para outros, foi diretamente responsável por perdas humanas evitáveis e pelo colapso moral do exército italiano.
Seu legado é, até hoje, objeto de debates na historiografia italiana: entre a disciplina absoluta e a incapacidade de escutar, entre a autoridade e o isolamento, Luigi Cadorna personifica os limites de um modelo de comando que a Primeira Guerra Mundial expôs de forma brutal.























