Por Aurora Bellini — Em um gesto que ilumina caminhos e semeia esperança, Aloka tornou-se companhia leal de um grupo de monges budistas na longa jornada conhecida como Walk for Peace. Esse cão de quatro anos — um exemplar do tipo pariah, nascido nas ruas da Índia — escolheu seguir os peregrinos e hoje caminha ao lado deles em um apelo silencioso e profundo pela paz.
A marcha, organizada pelo Huong Dao Vipassana Bhavana Center, em Fort Worth (Texas), é um trajeto de aproximadamente 3.700 km que atravessa dez estados norte-americanos, com previsão de término em Washington após cerca de 120 dias de caminhada. Os monges seguem apenas a passos firmes, com poucos pertences, confiando na hospitalidade das cidades e vilarejos por onde passam — e no poder transformador da presença calma e não violenta.
Aloka juntou-se aos monges durante uma caminhada anterior organizada pelo centro e, desde então, não os deixou. Originário das ruas indianas, onde os cães pariah vivem soltos e adaptados aos vilarejos, ele encontrou nos monges um propósito coletivo: acompanhar um movimento em favor da não-violência e do entendimento mútuo.
O percurso é marcado pelo ritmo dos pés descalços dos praticantes de meditação e pelos passos decididos do cão. Em meio ao silêncio e à contemplação, o ruído que se destaca é o som do caminhar, uma trilha sonora simples que, multiplicada, torna-se testemunho e convite à reflexão sobre o valor da vida e a urgência da paz.
Nas redes sociais, Aloka conquistou rapidamente um público cativo: perfis dedicados ao seu cotidiano junto aos monges já somam dezenas de milhares de seguidores. Vídeos e imagens mostram o cão caminhando ao lado dos praticantes, descansando nas pausas e interagindo com apoiadores ao longo do trajeto — pequenas cenas que acendem empatia e inspiram cuidados reais, não apenas reações passageiras.
Para nós da La Via Italia, esta história é mais que um relato comovente: é um lembrete de como laços inesperados podem gerar impacto coletivo. A figura de Aloka simboliza um horizonte límpido onde convivência e cuidado se entrelaçam; é um farol discreto que nos convida a cultivar gestos de bondade e responsabilidade social, sempre com pés firmes no presente e olhos voltados ao futuro comum.
O projeto dos monges, além de promover a paz, recupera tradições de peregrinação como instrumento de reflexão pública — uma construção lenta e imprescindível de humanidade. E enquanto a equipe segue seu trajeto, a presença do cão reforça a mensagem de que inclusão e compaixão não conhecem fronteiras: são práticas que atravessam continentes, culturas e corações.
Fonte: La Via Italia — relato a partir da cobertura do Huong Dao Vipassana Bhavana Center e adaptações do material original publicado na imprensa internacional.


















