Milão — Decenas de tratores provenientes de várias regiões da Itália convergiram pouco após o meio‑dia na área da Estação Central de Milão para uma ação de protesto contra o acordo UE‑Mercosur. Mais de cem veículos agrícolas interromperam o tráfego, estacionaram em frente ao Pirellone — sede do conselho regional da Lombardia — e descarregaram fardos de feno e recipientes com leite, enquanto soavam incessantemente os claxons.
A mobilização, organizada pelo Movimento Riscatto Lombardia em conjunto com outras associações reunidas no COAPI (Coordinamento Agricoltori e Pescatori Italiani), reuniu produtores que denunciam que o acordo UE‑Mercosur beneficiaria a especulação e prejudicaria tanto os agricultores quanto os consumidores europeus e sul‑americanos.
No protesto estiveram presentes lideranças políticas locais. A vice‑secretária da Lega, Silvia Sardone, acompanhou o ato, assim como o senador e vice‑presidente do Senado, Gian Marco Centinaio, que concedeu declarações à imprensa no local. Segundo relato da apuração in loco, os tratores com bandeiras tricolores estacionaram em praça Duca d’Aosta, depositaram os fardos de feno e exibiram produtos lácteos como forma simbólica de alerta para a crise do setor.
Os manifestantes exigem, com clareza técnica e sem ambiguidades: um preço justo para produtores e consumidores, a implementação de normas e controles eficazes para combater trustes e práticas especulativas, e a rejeição da desregulamentação das políticas agrícolas europeias. Em particular, apontam para a necessidade de preservar a PAC (Política Agrícola Comum) e a PES (Política de Extração e Pesca) como instrumentos que devam proteger os interesses de cidadãos, agricultores e pescadores.
Também consta entre as demandas a aprovação de uma lei sobre etiquetas transparentes, capaz de garantir clareza sobre a origem e as condições de produção dos alimentos. A organização do protesto destaca que manifestações similares ocorrem em outros países da Europa: a França e a Irlanda têm posições críticas, enquanto episódios de contestação foram relatados na Grécia e na Espanha.
Gian Marco Centinaio, ex‑ministro da Agricultura e atualmente senador da Lega, afirmou: “O convite que faço a todos os ministros da Agricultura e a todos os governos é que, antes de tomar decisões, conversem realmente com os agricultores”. Centinaio também avaliou o impacto econômico: “Hoje se está sacrificando o setor agrícola para dar respostas políticas a nível internacional. Estamos abrindo mercados, mas será que esses mercados se abrirão? Certamente favoreceremos alguns setores da nossa economia e sacrificaremos outro, que é a agricultura. É uma escolha política”.
O senador apontou ainda para a disparidade de custos de produção entre Europa e América do Sul: “Os custos de produção na Europa e na Itália estão nas alturas, enquanto no outro lado do mundo, no Sul da América, são uma fração do nosso custo. Chegará carne brasileira por um décimo do preço da italiana. A Europa não está percebendo isso”.
Os organizadores ambientalizaram a ação como um alerta técnico: a movimentação não é um gesto meramente simbólico, mas uma manifestação com reivindicações concretas sobre regulação, fiscalizações e regras comerciais. A mobilização em Milão soma‑se às vozes de produtores que buscam meios de garantir sustentabilidade econômica e proteção regulatória para a agricultura nacional.
Apuração in loco e cruzamento de fontes realizados pela nossa redação confirmam a presença de mais de cem tratores, as lideranças citadas e o descarregamento de feno e leite como ato de protesto. Mantemos contato com as organizações responsáveis pela mobilização e com representantes institucionais para atualizações.






















