A União Europeia (UE) destinou 45 bilhões de euros para o setor agrícola, uma medida estratégica que impulsionou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a aprovar o acordo de livre comércio com o Mercosul. A decisão marca um momento-chave nas negociações e representa um sinal de distensão entre a Itália e a Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen.
Após meses de dúvidas e pressão de países como França, preocupada com a concorrência agrícola, o governo italiano mudou de posição graças à proposta de antecipação de recursos, garantindo suporte imediato aos agricultores e comunidades rurais.
45 bilhões de euros para garantir o sim da Itália
O ponto de virada ocorreu quando Ursula von der Leyen enviou uma carta oficial à Presidência do Conselho Europeu e à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, propondo que os Estados-membros tivessem acesso antecipado a até dois terços do valor normalmente previsto para a revisão intermediária da Política Agrícola Comum (PAC), permitindo mobilizar cerca de 45 bilhões de euros a partir de 2028.
Esse valor, proveniente de reservas já existentes no orçamento da UE, poderá ser liberado imediatamente para apoiar os agricultores, somando-se a 6,3 bilhões de euros já destinados para estabilizar os mercados agrícolas. Com empréstimos adicionais do programa Catalyst Europe, os recursos totais podem chegar a 63 bilhões de euros.
O impacto da medida
A antecipação dos fundos é vista como uma coreografia política inteligente, conciliando interesses europeus e italianos. A decisão de Meloni de apoiar o acordo Mercosul abre o caminho para que produtos europeus, como automóveis, máquinas e produtos químicos, aumentem a exportação para a América Latina.
Em contrapartida, os países do Mercosul terão acesso ampliado aos mercados europeus para seus produtos alimentares. A medida fortalece o papel da Itália dentro da União Europeia e garante equilíbrio entre proteção agrícola e integração comercial.
Em uma manhã histórica para a diplomacia global, os embaixadores da União Europeia (UE) aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), o texto final do acordo comercial com o Mercosul. A União Europeia viveu um momento de divisão histórica durante a votação do acordo comercial com o Mercosul. Embora a maioria qualificada dos países membros tenha aprovado o tratado, França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria registraram votos contrários, enquanto Bélgica se absteve.
Em contraste, a Itália votou a favor, após negociações lideradas pela primeira-ministra Giorgia Meloni, que aceitou a proposta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de garantir a utilização de recursos adicionais para os agricultores já a partir de 2028, ao invés de aguardar a revisão intermediária do orçamento plurianual. O montante envolve cerca de 45 bilhões de euros, que poderão ser mobilizados imediatamente para apoiar o setor agrícola.






















