Na tradicional conferência de fim de ano, a primeira-ministra Giorgia Meloni traçou um balanço das prioridades do governo e apontou caminhos para mudanças institucionais e políticas externas. Com tom direto e foco na aplicação prática das decisões de Roma, Meloni reforçou a proposta de uma reforma da lei eleitoral e admitiu que os resultados na área de segurança ainda são insuficientes, atribuindo parte da responsabilidade a anos de lassismo anteriores.
Sobre a reforma da lei eleitoral, Meloni disse acreditar que figuras da oposição, como Elly Schlein, deveriam acolher positivamente um sistema que permita a quem obtém mais votos governar por cinco anos. “É uma vantagem per tutti — e forse ancora di più per l’opposizione”, afirmou, explicando que o objetivo não é apenas vencer, mas garantir que o vencedor possa realmente governar. Em sua leitura, esse mecanismo devolve ao eleitor o poder real de escolha: a democracia como obra em construção, onde os cidadãos têm voz direta sobre quem ergue os alicerces do Executivo.
Ao comentar discussões internas na maioria, Meloni ouviu críticas sobre posições relativas ao decreto-lei sobre a Ucrânia. Reagiu com surpresa à ideia — atribuída a um general — de que o Parlamento pudesse negar votos ao texto. “I soldati sono i primi che capiscono quanto le forze armate siano utili per costruire la pace”, disse, lembrando que as Forças Armadas desempenham papel crucial na arquitetura da estabilidade internacional.
Em relação à postura do secretário da Lega, Matteo Salvini, sobre as relações com a Rússia, Meloni citou o paralelo feito pelo presidente francês Emmanuel Macron e concordou que chegou a hora de a União Europeia dialogar com Moscou. Foi uma leitura pragmática: abrir canais quando necessário para preservar interesses europeus e buscar soluções diplomáticas.
Sobre o quadro geopolítico mais amplo, especialmente o puzzle do Oriente Médio, a premiê afirmou que o tema “não saiu do radar” e que a Itália continuará empenhada em promover um plano de paz. Reconheceu a complexidade do processo e a fragilidade de uma trégua, pedindo que Roma use toda sua capacidade diplomática para aproveitar quaisquer janelas de oportunidade.
Na área doméstica, a avaliação de Meloni sobre segurança foi frontal: resultados insuficientes, consequência de anos de permissividade que demandam ações concretas. E dirigindo-se ao sistema judiciário, fez um apelo claro: “I giudici non rendano vano il lavoro” — os magistrados não devem tornar inútil o esforço do Executivo. A declaração escancara a tensão entre a execução de políticas de segurança e o contrapeso judicial, um dos pilares da arquitetura democrática que precisa ser calibrado sem derrubar a separação de poderes.
Como repórter com o pé na rua e a mão no compasso institucional, observo que a intervenção de Meloni usa duas linhas simultâneas: construir pontes — internas e externas — e reforçar alicerces internos para acelerar medidas vistas como essenciais pelo governo. É uma tentativa de traduzir decisões de gabinete em alterações concretas que afetem a vida cotidiana dos cidadãos, dos imigrantes e dos ítalo-descendentes que acompanham a vida pública italiana.






















