Por Stella Ferrari — A sessão de hoje em Milão seguiu o roteiro já visível nas primeiras sessões do ano: tomadas de lucro sobre as tecnológicas e uma nova onda de valorização para o setor de defesa. A Piazza Affari encerrou em alta de 0,25%, desempenho ligeiramente superior ao dos principais índices europeus, e acumula cerca de 1,5% de ganho desde o início do ano.
No panorama norte-americano, o índice S&P 500 permaneceu praticamente estável, posicionando-se entre o Dow Jones Industrial, que avançou aproximadamente 0,5%, e o Nasdaq, que recuou na mesma ordem (-0,5%). Entre as grandes tecnológicas, houve presa de lucros: Nvidia, Apple e Microsoft registraram quedas na faixa de 1% a 2%.
O fator determinante do dia foi a declaração do presidente americano Donald Trump, que defendeu um aumento drástico da despesa militar — de US$ 901 bilhões previstos para 2026 para US$ 1,5 trilhão em 2027. O efeito foi imediato e pronunciado sobre os papéis do setor: Lockheed Martin subiu 5%, General Dynamics registrou alta de 6% e Raytheon Technologies (RTX) avançou cerca de 3%. Na Europa, a britânica BAE Systems teve valorização próxima a 5%, enquanto em Piazza Affari a fabricante italiana Leonardo subiu 2%, acumulando um ganho de aproximadamente 19% nas poucas sessões deste ano.
Os preços do petróleo também reagiram: o Brent foi negociado a US$ 61,13 por barril. Ontem o contrato havia recuado após a promessa, também do presidente Trump, de envio de cerca de 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, informação que atuou como um contrapeso às pressões de alta.
Do ponto de vista estratégico, a atualização das expectativas orçamentárias americanas funciona como uma recalibragem do motor que move parte do ciclo industrial global. Os aumentos previstos em defesa realimentam fornecedores de tecnologia dual-use e sistemas embarcados, enquanto impõem uma nova dinâmica de alocação de capital entre setores ciclícos e defensivos.
Para investidores e gestores, a mensagem é clara: a calibragem de políticas e os sinais orçamentários em Washington podem acelerar certas tendências setoriais e agir como um dos freios ou aceleradores do mercado no curto prazo. Em linguagem de engenharia financeira, observamos uma mudança de torque — incremento de demanda por ativos ligados à defesa — que exige revisão tática das carteiras, sem descuidar da diversificação e do controle de volatilidade.
Em suma, a sessão de hoje confirma a lógica de início de ano: rotação entre setores, com presa de lucros nas tecnológicas e forte apetite por empresas ligadas à defesa, num cenário influenciado por anúncios macro e por movimentos nos preços de commodities.






















