Os modelos meteorológicos confirmam uma intensificação do maltempo que avança do Norte para o Centro-Sul da Itália, com impacto significativo nas próximas horas e durante a noite. Enquanto as regiões do Norte ainda registram temperaturas excepcionalmente baixas, o Sul se prepara para chuva intensa, neve a baixas altitudes e ventos de força extraordinária.
No Piemonte, dados de esta tarde são impressionantes: localidades como Buttigliera d’Asti e Castell’Alfero, na planície do Pó entre Turim e Asti, não ultrapassaram os -2 °C como temperatura máxima do dia. As mínimas registradas ao amanhecer chegaram a -11 / -12 °C na planície padana do Piemonte, e esta onda de frio ocorre sob céu limpo, sem a habitual neblina, o que torna o episódio ainda mais extraordinário.
Cidades como Cremona ficaram em torno de 0 °C durante o dia, depois de mínimas de -4 °C; Mantova registrou mínima de -5 °C e a planície de Como marcou cerca de -10 °C. Trata-se da semana mais fria em cerca de 15 anos no Norte da Itália, com presença persistente de neve que já atingiu a Romagna após a grande nevasca de ontem.
Ao mesmo tempo, o maltempo desloca-se para o Sul, onde as temperaturas estão caindo rapidamente e eliminando a camada de poeira do Saara que cobria as regiões meridionais nos últimos dias. Em plena tarde observam-se valores baixos na Puglia: Foggia e Barletta por volta de +5 °C, Molfetta e Bisceglie cerca de +6 °C e Bari com +7 °C. Já Brindisi, Catania e Siracusa ainda mantinham temperaturas mais amenas (em torno de +16 °C), mas o colapso térmico é iminente.
O fator mais alarmante é o vento: o modelo MOLOCH do CNR indica que o maestral ganhará força já no entardecer e, durante a noite, poderá soprar com rajadas extraordinárias. Estão previstas rajadas superiores a 100 km/h entre o baixo Tirreno, o mar Jônio e o Canal da Sicília, com picos de até 120 km/h em partes da Calábria e da Sicília e potencial para alcançar até 150 km/h em Malta.
Na madrugada o vento se intensificará do estreito de Bonifácio até a Grécia, afetando com força média a forte também o Adriático central e sul. O promontório do Gargano deverá sofrer rajadas superiores a 100 km/h; as Tremiti podem ficar isoladas, e as regiões mais atingidas serão Campânia, Calábria, Sicília e Malta. Espera-se quebra nas ligações marítimas não só durante a noite, mas também ao longo de todo o dia seguinte, deixando isoladas ilhas como Ischia, Capri, Eólias, Tremiti, Lampedusa, Linosa e Pantelleria.
O mar deverá provocar marejadas violentas e maregates destrutivas, com risco de perda de faixas costeiras inteiras, especialmente na costa tirrênica da Calábria — uma das zonas mais expostas ao avanço do mar. As rajadas previstas chegam a níveis equivalentes a um furacão de 1ª categoria na escala Saffir–Simpson, no caso de Malta.
Além do vento, as precipitações serão intensas e generalizadas: chuva forte e trovoadas são esperadas entre Campânia, Puglia, Calábria e Sicília já no final da tarde e durante a noite. O brusco declínio das temperaturas também favorecerá queda de neve até cotas baixas nas áreas afetadas, elevando o risco de perturbações no trânsito e dificuldades para os serviços públicos.
Autoridades locais e centros de proteção civil devem monitorar de perto as atualizações dos modelos e recomendar precauções imediatas: evitar deslocamentos desnecessários, proteger embarcações e bens à beira-mar, e preparar abrigos e soluções logísticas para populações insulares que possam ficar isoladas.




























