Por Alessandro Vittorio Romano — La Via Italia
O futuro da cirurgia vascular respira hoje em Milão, entre a precisão das imagens, o sussurro das máquinas e a experiência humana. No IRCCS Ospedale San Raffaele, o professor Roberto Chiesa — primário da Unidade Operativa di Chirurgia Vascolare e Ordinario na Università Vita-Salute San Raffaele — afirma com convicção que o caminho é a mininvasividade aliada ao apoio da inteligência artificial. Essa combinação permite tratar cada vez mais pacientes, inclusive os mais idosos ou com quadros clínicos complexos, como os portadores de aneurismas complicados da aorta torácica, toraco-abdominal e do arco aórtico.
Dentro do Instituto foi recentemente criado o Aortic Center, um polo interdisciplinar que funciona como uma oficina de inovação clínica e pesquisa — um lugar onde a cura encontra a experimentação responsável. Reforçando o papel do serviço de cirurgia vascular como referência nacional e internacional, a equipe liderada pelo prof. Chiesa destaca-se particularmente no tratamento da patologia aórtica. O diferencial prático do San Raffaele é também estrutural: a presença de uma sala híbrida de última geração que permite intervenções endovasculares com grau elevado de segurança.
Segundo o professor, “as técnicas endovasculares suplantaram, nos últimos vinte anos, a cirurgia tradicional em muitos cenários”. A beleza pragmática dessas abordagens está em evitar a laparotomia: em vez de abrir o abdome, o cirurgião introduz por dois pequenos acessos inguinais uma sonda que conduz uma endoprótese expansível até o interior da aorta. Ao expandir-se, a endoprótese exclui o aneurisma do circuito sanguíneo. Em termos simples e essenciais, é como criar um novo leito seguro para o fluxo, deixando a dilatação aórtica sem contato direto com o sangue, e portanto sem risco imediato de ruptura.
Essa técnica não é apenas elegante — é adaptável. Pode ser oferecida a pacientes idosos, a quem tem insuficiência respiratória ou cardiopatias, e a quem não toleraria uma anestesia geral prolongada. Hoje, com os recursos endovasculares, é possível corrigir a maior parte dos aneurismas aórticos, incluindo os do arco e da porção torácica, sem necessidade de abrir o tórax ou o abdome e, sobretudo, sem recorrer à circulação extracorpórea.
O San Raffaele já obteve resultados marcantes: o primeiro procedimento que aplicou a técnica endovascular na instituição, realizado em 2019, tratou um aneurisma do arco aórtico, cobrindo e isolando a dilatação e permitindo ao paciente evitar a ruptura — um exemplo claro de como a tecnologia pode transformar uma ameaça em detalhe superado.
Olhando adiante, a integração com a inteligência artificial promete afinar ainda mais a seleção de pacientes, o planeamento das próteses e o acompanhamento pós-operatório — como se a máquina ajudasse o cirurgião a ouvir melhor o tempo interno do corpo e a respiração da cidade. No Aortic Center, a prática clínica se mistura à pesquisa: cada caso é também uma semente para novos protocolos, para que a colheita de hábitos terapêuticos seja mais segura e personalizada.
Como observador que ama traduzir o impacto das estações da vida sobre o bem-estar, vejo nessa evolução da cirurgia vascular uma mudança de respiradouro: menos agressão, mais respeito pelo ritmo do paciente. Em plena Milão, entre o ruído urbano e as luzes da sala híbrida, cultiva-se hoje uma medicina que cuida do corpo com a sensibilidade de quem conhece as raízes do bem-estar.































