Por Alessandro Vittorio Romano — Como acontece nas paisagens que mudam sem aviso, o corpo às vezes guarda, em silêncio, tempestades que só se revelam quando começam a comprimir a vida cotidiana. Em Turim, poucos dias antes do Natal, uma mulher de 69 anos — identificada como Daniela — foi salva por uma equipe médica que soube ler os sinais da sombras internas.
Por meses, Daniela viveu sem sintomas aparentes. No entanto, no seu abdômen crescia uma massa volumosa: uma cisto ovariano gigante com cerca de 28 centímetros de diâmetro, comparada em tamanho a uma gravidez gemelar a termo. O tumor, que pesava aproximadamente 6 quilos, manteve-se silencioso até começar a comprimir o cólon, associando-se a uma segunda neoplasia intestinal que desencadeou uma súbita e grave dificuldade intestinal.
O caso chegou às mãos da Cirurgia Ginecológica Mininvasiva do Ospedale Sant’Anna de Turim, coordenada pelo doutor Paolo Petruzzelli. Mesmo com a proximidade das festas, a máquina hospitalar da Città della Salute e della Scienza di Torino pôs em marcha um cuidado rápido e coordenado: diagnóstico, estadiamento e plano terapêutico foram definidos em poucos dias, com apoio decisivo da Radiologia do Sant’Anna e do trabalho dos residentes, entre eles a doutora Margherita Di Rienzo.
No dia 23 de dezembro, horas antes da véspera de Natal, Daniela entrou em sala de operação. A cirurgia de urgência durou cerca de seis horas e revelou a extensão do quadro: além do grande tumor ovariano, havia comprometimento intestinal que exigiu uma atuação multidisciplinar. A gastroenterologista e endoscopista doutora Anna Opramolla, do Ospedale Regina Margherita, realizou uma intervenção endoscópica intraoperatória determinante para a resolução da obstrução. As análises da Anatomia Patológica, lideradas pela doutora Margherita Goia, confirmaram a natureza neoplásica tanto da massa ovariana quanto da lesão no sigma do cólon.
Graças à prontidão dos profissionais e à sinfonia de especialidades — cirurgia ginecológica, radiologia, gastroenterologia, anatomia patológica — foi possível remover a lesão e tratar as complicações intestinais, devolvendo à paciente a esperança e a possibilidade de recuperação. A história de Daniela lembra-nos que o corpo tem um “tempo interno” e que, por vezes, é preciso escutar com atenção para perceber as pequenas mudanças que a paisagem da saúde nos sinaliza.
Em termos práticos, o caso ressalta a importância de centros oncológicos equipados e de uma resposta ágil mesmo em épocas festivas: a capacidade de mobilização da Città della Salute foi crucial para que um diagnóstico que poderia ficar tardio se transformasse em tratamento imediato.































