Na esteira da Milano Civil Week, nasce um convite a iluminar novos caminhos para o projeto europeu: não apenas como instituição, mas como tecido vivo de histórias, memórias e escolhas coletivas. Partindo do vigor do Manifesto de Ventotene e do legado dos Pais Fundadores, a discussão retomada em maio mostrou que as pedras angulares — liberdade, democracia, paz — continuam essenciais, embora hoje precisem ser reparadas e relançadas com outras ferramentas para garantir relevância e autoridade à União Europeia.
O encontro teve um gesto potente: trazer ao centro quem carrega o presente e projeta o futuro. Muitos estudantes participaram ativamente, revelando como a Geração Erasmus já vive sem fronteiras como conceito limitador — uma geração que viaja sem passaporte mental, que troca experiências de estudo e vida com pares de outros países, e que pede que a Europa seja também um espaço de oportunidades reais e sentido comum. Esses jovens não só recuperam as raízes — eles as reinterpretam, exigindo que os valores clássicos dialoguem com urgências contemporâneas como justiça social, sustentabilidade e participação cívica.
Os debates serviram para reacender memórias do passado e compreender melhor o funcionamento das instituições, como o Parlamento Europeu. A intenção foi clara: traduzir referências históricas em práticas cotidianas, para que a instituição recupere legitimidade junto aos cidadãos. Ao mesmo tempo, a proposta que se desenha é plural e duradoura: um projeto editorial e cultural que atravessará as redações e iniciativas do Corriere della Sera ao longo dos próximos meses, abrindo janelas de reflexão sobre educação, coesão e inovação social.
Esta série de aprofundamentos culminará na Milano Civil Week 2026, quando as sementes lançadas hoje serão avaliadas em seus brotos. O objetivo é claro: semear inovação e tecer laços sociais que fortaleçam uma identidade europeia baseada em valores partilhados, mas adaptada às complexidades atuais. Trata-se de um trabalho paciente e necessário — um cultivo que exige escuta, coragem política e políticas públicas que ampliem o campo de participação.
Como curadora e observadora, vejo neste movimento uma luz: a possibilidade de reconstruir um horizonte límpido onde os jovens sejam protagonistas e os valores fundadores reapareçam como instrumentos de ação, não apenas como retórica. A Europa pode reaprender a falar aos corações e às práticas cotidianas de seus cidadãos se aceitarmos que raízes e valores precisam ser continuamente nutridos por diálogo intergeracional e projetos concretos.
Este é o início de um mapa — não finalizado, mas promissor — que convida todos a participar. A La Via Italia acompanha e traduz essas conversas, empenhada em iluminar novos caminhos e cultivar um legado que traduza idealismo em impacto real.
Fonte: adaptação e curadoria por La Via Italia a partir do conteúdo originalmente publicado pelo Corriere della Sera.































