Por Aurora Bellini — Em um tempo em que informação se espalha na velocidade de um clique, dois vozes jovens procuram iluminar o debate sobre a União Europeia para seus pares. Elania Zito, 34 anos, calabresa radicada em Roma, e Alan Cappelli Goetz, 38 anos, ator e divulgador com quase 100 mil seguidores, explicam por que é importante sentir-se europeu — e como as redes sociais podem semear esse sentimento.
Elania fala diretamente aos trentenários que cresceram na sombra da crise financeira: “Como vai o mutuo? E o primeiro filho? E a crise demográfica?”. Com linguagem franca e vídeos curtos — reels que funcionam melhor do que fotos — ela prefere ser chamada de content creator a influenciadora. Nos seus conteúdos, procura traduzir oportunidades e direitos europeus em cotidiano: bolsas, mobilidade, programas e vocações que muitos amigos ainda desconhecem.
“Não sei se é ‘cool’, mas eu digo: a União Europeia é o maior projeto político e económico já realizado”, afirma em um de seus vídeos. Entre os mais vistos está uma paródia batizada de “Europeíssimo”, inspirada em formatos populares, e episódios que descomplicam a diferença entre o Conselho Europeu e o Conselho da Europa. E, claro, vídeos sobre figuras como Mario Draghi — “Draghi funciona sempre nas redes”, ri ela.
A reação do público é um termômetro: mensagens de jovens ainda em formação, interessados em carreiras na UE, dividem espaço com comentários agressivos e desconfiados das instituições. Elania nota um paradoxo: “Vejo um grande senso cívico entre muitos jovens, mas há um fosso entre ativismo digital e o ato de votar.” Ela chama atenção para a distância entre partidos e gerações como um fator que alimenta a abstenção.
Alan traz outra luz ao tema: depois de participar do primeiro Fridays for Future em 2019 em Roma e observar contradições práticas, começou a produzir vídeos que geraram amplos comentários. “Vi jovens falando de impacto ambiental e depois na fila do fast-food — fiz um vídeo sobre isso e não parei mais”, lembra. Hoje é Climate Pact Ambassador da UE e usa a plataforma para traduzir políticas climáticas em ações concretas.
Nos comentários, Alan costuma responder diretamente a políticos, instigando o debate público. Às vezes recebe retorno, outras vezes é bloqueado — um sinal de que o diálogo ainda está em construção. Para ele, as redes são uma lente onde se reflete tanto a urgência dos temas quanto a necessidade de linguagem acessível: “É preciso tornar claro o que está em jogo e como cada jovem pode agir”.
Ambos combinam bom humor e didática: paródia, comparação direta e linguagem simples para tornar a UE um assunto tangível. Essa estratégia ajuda a aproximar instituições distantes e a cultivar uma nova consciência cívica — um pequeno renascimento cultural, onde a informação bem comunicada pode acender horizontes limpos para decisões importantes, como o voto.
Em suma, Elania e Alan ensinam que sentir-se europeu também é obra de tradução: transformar siglas e políticas em caminhos práticos para a vida coletiva. Eles nos lembram que a união política e económica da Europa só se realiza plenamente se for compreendida e sentida por suas gerações.































