Por Marco Severini — A Grã-Bretanha e a França realizaram um ataque aéreo conjunto contra uma estrutura subterrânea do ISIS nas proximidades de Palmira, no centro da Síria, segundo nota oficial do Ministério da Defesa britânico. O episódio configura um movimento calculado no tabuleiro regional, destinado a interromper rotas de rearticulação do grupo após sua derrota territorial em 2019.
De acordo com o comunicado, a Royal Air Force executou os ataques em coordenação com forças francesas. A ação foi precedida por uma análise detalhada de inteligência que identificou uma instalação subterrânea nas montanhas a alguns quilômetros ao norte da antiga cidade de Palmira. A estrutura, ocupada pelo Daesh, era provavelmente utilizada para o armazenamento de armamentos e explosivos.
O Ministério enfatizou que a área ao redor da instalação não apresentava habituação civil, reduzindo, segundo as autoridades, o risco de danos colaterais. Os aviões envolvidos — incluindo Typhoon da RAF e aeronaves francesas — empregaram bombas guiadas Paveway IV para atingir galerias de acesso ao complexo subterrâneo. As avaliações iniciais indicam que o objetivo foi comprometido com sucesso e que todas as aeronaves retornaram sem danos.
Em termos operacionais, trata-se de uma ação de contenção: manter a pressão sobre os remanescentes do ISIS e neutralizar infraestruturas que permitiriam uma ressurgência operativa. A Royal Air Force manteve o argumento público de que prosseguirá com patrulhas sobre a Síria para prevenir tentativas de reconstituição do movimento após sua derrota em Baghuz Fawqani, em março de 2019.
Do ponto de vista geopolítico, porém, o ataque insere-se numa matriz mais ampla. A presença contínua de potências ocidentais no espaço aéreo sírio compõe um dos fios da tectônica de poder que atravessa a região: enquanto forças estatais (Damasco e seus aliados) retomam controle territorial, atores externos mantêm a capacidade de pressão seletiva. A operação franco-britânica é, assim, um movimento decisivo no tabuleiro, destinado tanto a degradar capacidades insurgentes quanto a sinalizar comprometimento com a contenção do extremismo.
Há também riscos estratégicos a considerar. Ataques contra estruturas subterrâneas podem provocar deslocamentos logísticos e forçar o inimigo a adotar táticas cada vez mais descentralizadas e dispersas — um redesenho de fronteiras invisíveis no modo de operação do grupo. Além disso, qualquer ação aérea em território sob a influência de atores como Rússia, Turquia ou milícias locais exige cálculo diplomático cuidadoso para evitar incidentes que escapem ao controle.
Em síntese, o ataque franco-britânico perto de Palmira é um gesto de pressão sobre o remanescente do ISIS, executado com precisão técnica e justificado por inteligência prévia. Resta observar como este episódio afetará as dinâmicas locais entre Damasco, potências regionais e coalizões externas, e se estimulará novas formas de adaptação insurgente.
Marco Severini
La Via Italia — Análise geopolítica



























