A ideia parece quase inacreditável: comprar uma casa na Itália por apenas 1 euro. Mas sim, essa iniciativa existe e já levou muitos estrangeiros, incluindo brasileiros, a realizarem o sonho de viver na charmosa “Bella Italia”. De vilarejos históricos na Sicília às montanhas do Piemonte, o projeto busca revitalizar pequenas cidades em risco de despovoamento, atraindo novos moradores e investimentos.
Porém, ao contrário do que mostram os vídeos virais nas redes sociais, a experiência não é simples, barata ou rápida. Comprar uma casa por 1 euro exige planejamento, recursos e cumprimento rigoroso de regras legais.
Casas de 1 euro na Itália em 2026: Tudo sobre regras, custos e riscos ocultos
Nos últimos anos, as prefeituras italianas começaram a impor regulamentações mais estruturadas, para evitar abandono de imóveis e reformas mal executadas. Entre as principais mudanças:
Prazos obrigatórios
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Contrato e apólice de seguro: devem ser assinados em até 2 meses após a aprovação da prefeitura.
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Projeto de restauração ou requalificação: submetido ao órgão municipal em até 6 meses.
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Início das obras: até 1 ano após assinatura do contrato.
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Conclusão das obras: até 3 anos, sob pena de perda do imóvel ou multas.
Limitações nas alterações estruturais
Muitas casas estão localizadas em áreas protegidas ou são imóveis históricos. Isso significa que mudanças radicais na estrutura podem ser proibidas, e qualquer alteração deve passar por aprovação detalhada da prefeitura, o que exige paciência e conhecimento da legislação local. De acordo com especialistas em restauração de imóveis históricos italianos, o custo médio para tornar essas casas habitáveis pode variar de 30 mil a 50 mil euros, dependendo do estado da estrutura e das exigências legais.
Responsabilidade legal e financeira
Mesmo custando 1 euro, os compradores assumem custos elevados de reforma, seguro e manutenção, que podem facilmente chegar a dezenas de milhares de euros, dependendo do estado do imóvel. Além disso, responsabilidades legais acompanham a compra, tornando o processo muito mais complexo do que a mídia costuma mostrar. O que os vídeos não mostram é que comprar uma casa por 1 euro exige planejamento detalhado, análise financeira e cumprimento rigoroso da legislação local. É um investimento que combina risco, burocracia e dedicação não um atalho barato para viver na Itália.
Quem pode comprar uma casa de 1 euro?
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Qualquer pessoa física ou jurídica, italiana ou estrangeira, pode participar do projeto.
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Não é necessário ser residente na Itália.
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Você pode comprar sendo turista, com visto temporário ou mesmo morando em outro país. Se você não é cidadão da União Europeia, verifique se o seu país tem acordo de reciprocidade com a Itália para compra de imóveis. Brasil, Argentina e EUA, por exemplo, têm.
Adquirir um imóvel na Itália garante residência legal?
Muitas pessoas confundem a compra de um imóvel com a obtenção de residência legal no país. Não existe nenhuma lei italiana que conceda residência ou cidadania apenas por adquirir um imóvel, seja ele de luxo ou até uma “casa de 1 euro”. Muitas pessoas imaginam que adquirir um imóvel na Itália automaticamente lhes dá o direito de morar legalmente no país. Isso não é verdade. Comprar uma casa apenas te dá propriedade do bem, não muda seu status legal ou imigratório.
1. Residência é um status legal, não um bem material
A residência italiana significa que você é oficialmente registrado como morador de um município. Para isso, é preciso:
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Morar de fato no endereço registrado;
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Registrar-se na Anagrafe, o registro civil da cidade;
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Cumprir os requisitos legais de permanência no país.
Somente possuir um imóvel não prova que você mora ali, portanto, não basta para ser considerado residente.
2. Visto e permesso di soggiorno continuam necessários
Se você é estrangeiro, precisa de um visto adequado (estudo, trabalho, negócios ou reunião familiar) para entrar legalmente na Itália. Após chegar, deve solicitar o permesso di soggiorno, que autoriza sua estadia.
Mesmo que você compre uma propriedade:
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O imóvel não substitui o visto;
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O imóvel não garante permissão de residência;
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O imóvel não concede acesso automático a serviços públicos (saúde, escola, benefícios).
3. Impostos e obrigações legais
Comprar um imóvel implica apenas em responsabilidades fiscais e civis relativas à propriedade:
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Pagamento do IMU (imposto municipal sobre propriedade);
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Custos de manutenção e reforma;
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Possíveis taxas locais.
Nada disso transforma você em residente legal, que é um status reconhecido pelo Estado italiano.
4. O que a compra realmente garante
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Direito de propriedade do imóvel;
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Possibilidade de usar como casa de férias ou investimento;
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Participar de programas de revitalização, como as casas de 1 euro.
Ter uma casa na Itália não substitui vistos, registros ou permissões. Para morar legalmente no país, você precisa seguir todos os trâmites legais de imigração.
Vale a pena comprar uma casa por 1 euro na Itália?
Apesar do marketing pesado e dos milhões de visualizações dos vídeos virais, a verdade é que a grande maioria dos compradores não chega até a conclusão do contrato. A Itália leva a burocracia a sério, e o processo de aquisição dessas casas envolve regras rígidas que nem sempre são explicadas nas redes sociais.
Os vídeos virais mostram apenas o lado bonito da história: fachadas antigas, vilarejos pitorescos e a promessa de um “negócio imperdível”. Mas não mostram o risco, a burocracia ou os custos escondidos, dando a impressão de que qualquer um pode comprar e reformar facilmente.
Se você está preparado para lidar com burocracia italiana, custos significativos e prazos rigorosos, e deseja investir em revitalização de cidades históricas, pode ser uma oportunidade interessante.
Mas para quem pensa em uma compra rápida, barata e sem complicações, o programa de casas de 1 euro não é o que os vídeos prometem.































