Ao fim de 2022 perguntamos ao ChatGPT como seria o ano seguinte da inteligência artificial. Na época, o modelo ainda engatinhava; hoje, três anos depois, a situação mudou radicalmente. O que estava nascendo como uma novidade capaz de desafiar gigantes como o Google tornou-se um ecossistema maduro, com sinais de bolha, mas também com bases sólidas nas grandes empresas de tecnologia.
Nesta projeção para 2026, a redação de Login aponta alguns vetores que deverão dominar o debate público e industrial: a escalada dos robôs com forma humanoide e inteligência embarcada; a maturidade dos óculos inteligentes como interface cotidiana; a transformação do Web tradicional diante de novas arquiteturas impulsionadas por IA (o chamado Machine Web); e o renascimento da corrida lunar, com passos práticos que podem preparar a primeira colônia extraterrestre.
O pontapé inicial desta nova fase física da IA deverá ocorrer já na cerimônia de abertura das feiras de tecnologia, como o CES, em Las Vegas, onde fabricantes mostram protótipos e aplicações. Não se trata apenas de algoritmos: é a chegada de uma inteligência artificial com base no mundo real, capaz de agir, mover-se e interagir em ambientes físicos — a inteligência com corpo.
Ao mesmo tempo, os óculos inteligentes parecem prontos para deixar de ser apenas acessórios para correção visual ou moda. Espera-se que eles integrem câmeras, sensores e modelos de IA capazes de “ver”, reconhecer e contextualizar o que acontece diante dos olhos do usuário. Através dessas lentes, o mundo real será “aumentado” por camadas de informação geradas em tempo real, e esse uso cotidiano nutrirá novos modelos — os chamados World Models — que aprendem não só a partir de textos e vídeos, mas pela experiência direta no espaço físico.
Outra previsão forte para 2026 é a transformação radical da própria web. A combinação de modelos autônomos, agentes digitais e infraestrutura distribuída pode reduzir a centralidade do navegador e das páginas estáticas: o velho Web, como o conhecemos, deverá conviver ou se integrar a uma nova arquitetura orientada por IA — a tal Machine Web — que serve conteúdos e ações adaptativas ao contexto do usuário.
Por fim, a Lua volta ao centro dos projetos espaciais. Embora a primeira base permanente fora da Terra seja ainda uma meta para a próxima década — fala-se em 2030 como horizonte possível —, 2026 será um ano-chave para consolidar as bases técnicas, logísticas e políticas dessa nova corrida. E a inteligência artificial aparece como ingrediente transversal: do planejamento de missões à operação de robôs e sistemas autônomos no ambiente lunar.
O fio condutor dessas tendências é a presença onipresente da IA. Como observou Demis Hassabis e como o mercado já indica, vamos caminhando para um “AI World”: um mundo onde humanos e máquinas aprendem a conviver e a construir rotinas compartilhadas. Resta saber se a sociedade conseguirá regular, adaptar-se e tirar o máximo proveito desses avanços sem perder de vista riscos e desigualdades.






























