O magnésio é um mineral essencial para dezenas de reações bioquímicas no organismo. Quando seus níveis estão baixos, vários sistemas corporais — coração, músculos, sistema nervoso, ossos e metabolismo — podem ser afetados. A seguir, explicamos de forma clara e detalhada os principais sinais de deficiência de magnésio, suas possíveis causas, como confirmar o diagnóstico e formas seguras de reequilíbrio.
Por que o magnésio é tão importante?
O magnésio participa da síntese de proteínas, função neuromuscular, regulação do ritmo cardíaco, produção de energia e equilíbrio hormonal. A ingestão diária recomendada varia, em geral, entre 200 e 500 mg, dependendo da idade, sexo e condições fisiológicas. Fatores como alimentação pobre, sudorese excessiva, alterações hormonais, uso de medicamentos (diuréticos, alguns antibióticos, inibidores de bomba de prótons) e doenças gastrointestinais podem reduzir os estoques corporais.
Estudo de referência
Pesquisas reunidas na National Library of Medicine (PubMed) relacionam a carência de magnésio a diversos sintomas clínicos, enfatizando a importância de reconhecer sinais iniciais para prevenir complicações cardíacas e neuromusculares.
Os 8 sinais mais comuns da deficiência de magnésio
1. Tremor ocular (o “olho que dança”)
O tremor ocular é uma pequena contração involuntária dos músculos ao redor do olho. Embora muitas vezes seja benigno e temporário, aparece com frequência em quem apresenta baixos níveis de magnésio, já que este mineral, junto com o potássio, é fundamental para a contração e relaxamento muscular.
2. Dificuldade para dormir e sono fragmentado
A falta de magnésio pode piorar a qualidade do sono. O mineral tem papel na regulação dos neurotransmissores envolvidos no sono e no controle do estresse; sua deficiência está associada a despertares noturnos e sensação de sono não reparador.
3. Irritabilidade e oscilações de humor
Deficiência de magnésio pode contribuir para maior irritabilidade, tristeza e alterações de humor. Mulheres podem notar piora no período pré-menstrual.
4. Cefaleias e enxaquecas
A redução dos níveis de magnésio tende a aumentar a predisposição a dores de cabeça e enxaquecas, possivelmente por alterações na transmissão neuronal e na circulação cerebral.
5. Cãibras e espasmos musculares
Um dos sinais mais típicos são as cãibras — dolorosas contrações musculares que ocorrem durante atividade física ou mesmo em repouso. A falta de magnésio altera a excitabilidade muscular e nervosa.
6. Fadiga e sensação de fraqueza
Redução na disposição e cansaço persistente, mesmo após descanso adequado, são sintomas comuns. O magnésio é crucial na produção de energia celular (ATP), logo sua falta gera sensação de esgotamento.
7. Problemas gastrointestinais
Náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia podem acompanhar a deficiência. Em alguns casos, doenças intestinais que prejudicam a absorção aumentam o risco de perda de magnésio.
8. Palpitações e arritmias
O magnésio contribui para a estabilidade elétrica do coração. Sua deficiência pode se manifestar por palpitações, batimentos irregulares e, em casos mais graves, aumentar o risco de arritmias.
Como confirmar a deficiência?
O diagnóstico começa pela avaliação clínica: histórico alimentar, sintomas e fatores de risco (medicamentos, doenças intestinais, aumento da perda por suor). Exames laboratoriais incluem níveis séricos de magnésio, embora estes nem sempre reflitam o estoque total corporal. Em dúvidas, o médico pode solicitar exames complementares ou avaliar respostas a suplementação controlada.
Alimentos ricos em magnésio
Para prevenir ou corrigir a deficiência, priorize alimentos naturais ricos em magnésio:
- Verduras de folhas verde-escuro (espinafre, couve)
- Nozes e sementes (amêndoas, castanhas, sementes de abóbora)
- Leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico)
- Grãos integrais (aveia, arroz integral, quinoa)
- Chocolate amargo (com moderação)
Suplementação e cuidados
Quando a alimentação sozinha não é suficiente — por exemplo, em dietas restritivas, perdas aumentadas (sudorese excessiva, diarreia crônica) ou em uso de medicamentos que reduzem o magnésio — a suplementação pode ser indicada para restabelecer níveis adequados. Existem várias formas de sais de magnésio, cada uma com características próprias: o óxido de magnésio tem alto teor de magnésio elementar, porém menor absorção; o citrato é bem absorvido, mas pode causar efeito laxante em doses maiores; o glicinato (ou bisglicinato) costuma ser melhor tolerado e causar menos diarreia; o malato é frequentemente usado por quem busca suporte energético; e o treonato tem sido estudado pela maior penetração no sistema nervoso. As doses dependem da deficiência, da ingestão alimentar e das condições clínicas — orientações gerais costumam variar entre 200–400 mg de magnésio elementar por dia, porém o ajuste individual deve ser feito por médico ou nutricionista. Atenção especial é necessária em pessoas com insuficiência renal (risco de acumulação), com uso de medicamentos que interagem com magnésio (alguns antibióticos, bisfosfonatos, diuréticos, inibidores de bomba de prótons) ou em caso de sintomas gastrointestinais. Efeitos adversos mais comuns incluem dor abdominal e diarreia; reduza a dose ou troque a forma do sal se ocorrerem. Sempre consulte um profissional de saúde antes de iniciar suplementação e, quando possível, prefira primeiro otimizar a ingestão por meio de alimentos ricos em magnésio, listados a seguir.
| Alimento | Quantidade | Magnésio (aprox., mg/100 g) | Observação |
|---|---|---|---|
| Sementes de abóbora | 100 g | ≈ 550 mg | Uma das fontes vegetais mais ricas; ótimo para lanches e saladas. |
| Sementes de girassol | 100 g | ≈ 325 mg | Boa alternativa para variar as oleaginosas. |
| Amêndoas | 100 g | ≈ 270 mg | Consumir com moderação por serem calóricas; excelente lanche. |
| Castanha de caju | 100 g | ≈ 260 mg | Fonte prática e saborosa de magnésio. |
| Aveia integral (flocos) | 100 g | ≈ 177 mg | Versátil no café da manhã e em receitas. |
| Chocolate amargo (70–85%) | 100 g | ≈ 228 mg | Consumir com moderação devido às calorias e açúcar; opção ocasional. |
| Espinafre (cozido) | 100 g | ≈ 79 mg | Vegetal de folhas escuras com boa biodisponibilidade quando cozido. |
| Feijão preto (cozido) | 100 g | ≈ 70 mg | Leguminosa que também fornece fibras e proteína. |
| Quinoa (cozida) | 100 g | ≈ 64 mg | Grão integral com perfil proteico favorável. |
| Lentilha (cozida) | 100 g | ≈ 36 mg | Boa para variações em sopas e saladas; contribui para o total diário. |
Quando procurar um médico?
Procure atendimento se os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de palpitações, fraqueza muscular severa ou desmaios. O ajuste incorreto de suplementos sem orientação pode causar efeitos adversos.
Saúde no foco
A deficiência de magnésio é relativamente comum e pode se manifestar por sintomas variados, do incômodo do tremor ocular às cãibras e fadiga persistente. Reconhecer os sinais e adotar medidas alimentares e, quando indicado, suplementares com acompanhamento profissional é essencial para restaurar o equilíbrio e proteger funções vitais como a cardíaca e neuromuscular.

























