A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condenou nesta quinta-feira (29) os intensos ataques russos contra a capital ucraniana, Kiev, que deixaram ao menos 18 mortos e dezenas de feridos, segundo balanço oficial. Para a líder italiana, a ofensiva demonstra “quem está ao lado da paz e quem não acredita no caminho das negociações”.
“Os nossos pensamentos estão com o povo ucraniano, com os civis e com os familiares das vítimas inocentes, incluindo crianças, atingidas por esses insensatos ataques russos”, declarou Meloni após o raid noturno.
Reunião em Roma: segurança coletiva e paz negociada
Após o ataque, Meloni reuniu-se em Palazzo Chigi com os vice-premiês Antonio Tajani e Matteo Salvini, além do ministro da Defesa, Guido Crosetto. O encontro tratou do avanço das conversas sobre uma possível negociação de paz, em linha com os recentes diálogos em Washington.
De acordo com nota oficial, o governo italiano aposta em um modelo de segurança coletiva inspirado no artigo 5º do Tratado de Washington cláusula de defesa mútua da Otan como garantia para um eventual acordo de paz.
Nenhum soldado italiano em território ucraniano
Tanto Meloni quanto Tajani reforçaram que a Itália não participará de uma força multinacional em solo ucraniano. A contribuição italiana, segundo o governo, será limitada a iniciativas de monitoramento e treinamento fora da Ucrânia, e apenas após a cessação das hostilidades.
O chanceler Antonio Tajani reiterou que não há qualquer plano de envio de tropas. Ele acrescentou, contudo, que a Itália poderia oferecer apoio humanitário em operações de desminagem caso seja firmado um acordo de paz. “Não tem nada a ver com presença militar no campo, como entendem alguns dentro da coalizão dos dispostos”, disse.
Condenações internacionais
A ofensiva russa contra civis em Kiev gerou forte reação da comunidade internacional.
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O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que os bombardeios mostram “a crescente brutalidade do regime russo”, condenando-os “com a máxima firmeza”.
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O enviado especial de Donald Trump para a Ucrânia, Keith Kellogg, classificou os ataques como “atrozes” e uma ameaça ao esforço de paz.
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou ter conversado com Volodymyr Zelensky e Donald Trump após o ataque e destacou que “Putin deve sentar-se à mesa de negociações”.
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O presidente francês, Emmanuel Macron, chamou a ação de Moscou de “barbárie” e reforçou seu apoio incondicional à Ucrânia.
Caminho incerto para a paz
Apesar das declarações de solidariedade, o futuro das negociações ainda é incerto. O governo italiano insiste que apenas garantias concretas de segurança poderão abrir espaço para uma paz “justa e duradoura”. Enquanto isso, os bombardeios contra civis seguem ampliando a tensão internacional e reforçando o isolamento diplomático da Rússia.