Cerca de 150 pessoas, incluindo muitos brasileiros, se reuniram nesta sexta-feira (4) na Piazza dei Santi Apostoli, em Roma, para protestar contra o chamado “pacchetto cittadinanza”, um pacote de medidas proposto pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani. O decreto-lei, que altera as regras para a obtenção da cidadania italiana, tem efeito imediato, mas ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento italiano entre os dias 6 e 8 de maio para se tornar definitivo.
As mudanças propostas impactam principalmente os descendentes de italianos no exterior, restringindo o reconhecimento automático da cidadania por ancestralidade às duas primeiras gerações e impondo a necessidade de comprovação de vínculos com a Itália a cada 25 anos. Além disso, o decreto prevê a centralização dos pedidos em uma repartição única em Roma e um aumento significativo nas taxas para solicitação da cidadania. As novas regras colocam em risco os processos de muitos brasileiros que pleiteiam o reconhecimento de sua cidadania por meio de seus bisavós.
O pacote de medidas gerou divergências dentro da coalizão de direita. Enquanto a primeira-ministra Giorgia Meloni apoia a iniciativa, a Lega, partido aliado, manifestou preocupação com o impacto da proposta sobre os descendentes de italianos, principalmente os originários do norte da Itália. O partido acusa o governo de enfraquecer o direito dos ítalo-descendentes, ao mesmo tempo em que facilita a naturalização de jovens imigrantes residentes na Itália.
O protesto em Roma reflete a insatisfação da comunidade brasileira e de outros descendentes de italianos que temem que as novas regras dificultem ou inviabilizem o reconhecimento de sua cidadania. Além das manifestações nas ruas, grupos de ítalo-descendentes organizam mobilizações online para pressionar parlamentares contra a aprovação do decreto.